21 de jan de 2014

E.... Passou









            Já me deixei abater por você. Já chorei, já esperneei, já me entupi de chocolate e foi por pouco que não me humilhei te pedindo para ficar. Já falei mal da sua nova namorada, stalkeei seu perfil no facebook e imaginei conversas que nunca acontecerão. Já fiz todas essas coisas clichês que mulher faz quando o relacionamento acaba e ela ainda tá apaixonada. Mas passou.

Os primeiros dias foram dolorosos. Não entendia porque tinha acabado e minha cabeça estava cheia de pontos de interrogação - mais que o costume. Então soube que estava namorando. Soube que estava com ela e comigo ao mesmo tempo e, entre as duas opções, achou que ela era a mais vantajosa. Ficava me perguntando o que ela tinha de especial. Cheguei a conclusão de que nunca teria resposta para essas perguntas.

Mas a surpresa encontra-se por eu não ter chorado. Não por falta de vontade,  de oportunidade ou motivo, as lagrimas não desceram. Lembrei-me de todas as vezes em que chorei por caras com quem tive ligações mais fracas do que aquela que havia entre nós. Eu sei que foi rápido e que não significou muito para você, mas foi tão intenso. Confidenciei meus segredos, até mesmo aqueles que nem minha melhor amiga conhece, deixei-me envolver, ser desvendada. Você me teve por inteira, não de corpo, mas de alma. Sempre tive dificuldade em ser quem eu sou perto das pessoas, devido a esse medo bobo e sem sentido de ser rejeitada, mas com você foi fácil, fácil até demais. Você tornou-se meu melhor amigo e confidente, então, perdi-o também.

Foi por ele que eu chorei. Quando senti-me sozinha em uma sala com 50 pessoas que talvez agradeceriam se eu desaparecesse. Quando meu pai parecia estar cada vez mais distante e minha cabeça, cada vez mais confusa. Quando percebi que alguém que eu julgava gostar de mim estava apenas me usando e que tinha perdido minha melhor amiga para a distancia. Chorei quando percebi que estava sozinha e a única pessoa com quem poderia conversar não estava nem aí.

Me recompus. Pela primeira vez, não utilizei aquele sorriso falso, apenas fui vivendo. Acordava, ia para escola, curso, escutava musica no ônibus, comia bobagens de vez em quando, ria de vez em quando... Tudo ia acontecendo aos poucos e, quando percebi, meu coração estava mais leve. Livre da sensação de rejeição deixada por você, livre da vontade de falar com você e desabafar tudo o que aconteceu nos últimos meses. 

Nas raras vezes em que penso em você, penso em nossa amizade e sorrio, com aquela sensação, meio sem sentido, de saudades. Não aquela saudade de querer de volta, mas aquela de quando lembra-se de algo bom que ficou no passado. Penso em você da mesma forma em que penso em minha primeira escola, na tarde em que meu avô tentou ensinar-me a andar de bicicleta, na praia a qual meu pai me levava quando eu era pequena. Como algo bom que fez parte do passado e ficou por lá. Hoje eu sei que aquele amor que eu acreditei sentir por você não era nada, apenas uma paixonite boba. E passou.

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