24 de ago de 2013

Cuida dele









Em um dos meus devaneios em meio a aulas de física (desculpa, Luiz Fernando!), percebi que ele estava certo, o fim foi a melhor opção. Ele livrou-se das minha inseguranças e eu, de suas muralhas.
Mas, no fundo, ainda dói. Há um vazio onde ele costumava estar. Passo as madrugadas andando em círculos, sem saber onde chegar. Mentira, sei onde chegar. Rua, numero, e apartamento. Direto no quarto dele, que é arrumado, diferente da maioria dos quartos de homem. Não tem aplicativo que vá substituir o som da sua voz, a sensação de segurança dos seus braços, a maciez dos seus cabelos.
Diz pra ele que aprendi a jogar videogame só pra passar aquela fase difícil. E por mais que a gente nunca tenha passado dela, eu tentei aprender umas formas de levar o jogo até o fim. Espero que vocês passem essa fase juntos.
Assisti a um jogo de futebol essa semana e torci para o time dele. Perdeu e quis ligar pra culpar o juiz, o tempo chuvoso ou a grama escorregadia. Aliviar o mundo dele. Aliás, você deveria fazer isso. Ele tentará ser seu melhor amigo, pode confiar nele até pra falar sobre traumas de outros relacionamentos, ele não se importa desde que saiba que está inteira ao lado dele. Vai tentar levar os seus problemas nas costas, mas ele também tem os próprios traumas pra cuidar.
Não tente dominá-lo, deixe-o livre. Às vezes, vai querer ficar sozinho, respeite isso. Talvez ele te leve em um mexicano, na rua dele, e te dê algo apimentado pra provar. Não o leve a mal, essa é só uma das pegadinhas que ele irá fazer até mesmo se você estiver com cólicas no sofá da sala. Não faça cara de brava, apenas ria junto com ele. Sorria pois isso o desarma. Derrete-se em seu sorriso, como eu derretia-me?

Avisa que esqueceu uma blusa sem botão aqui. Ele sentia falta do botão, eu, sinto falta dele. Às vezes, em domingos nostálgicos, visto-a e ainda tem seu cheiro único, nem forte, nem fraco, cheiro de casa. É como ele ainda estivesse aqui, falando de seus colegas esquisitos da universidade e fazendo-me gargalhar.
Cuida dele como se ele fosse uma criança, porque no fundo, ele ainda é. E quando ele adoece, parece ter seis anos: cheio de manhas, dramas... Fique ao lado dele e faça-o tomar os remédios, mesmo que ele não queira. Também faça cafuné e deixe-o escolher o filme. Você vai se surpreender com os filmes "agua com açúcar" que ele assiste quando está assim, mas não faça piadas.
Diz pra ele que ontem não me segurei e chorei de novo. E passei por aquele que costumava ser nosso lugar favorito, onde íamos ver o pôr do sol pelo menos uma vez no mês. Mas a paisagem já não é a mesma, pois ele foi recortado dela. E minhas fotos sem ele perdem o efeito e não tem instagram que possa consertar. Eu fico até feliz em ver que ele sorri nas fotos com você, mas eu não consigo deixar de sentir aquela pontada no peito e a dor no estômago por não ser mais eu. Mas diz também que as coisas vão bem, mas bem nunca vai ser exatamente o que eu queria que fosse. E o que eu sinto tá guardado, sem lacre, numa caixa aqui de casa. Vai que um dia ele resolve voltar pra buscar a camisa sem botão, umas caixas e resolve me levar junto de vez?
Não é porque acabou que eu tenha superado, até porque amor não se supera. Mas que eu posso aguentar as consequências de tê-lo amado e ter tido essa história linda ao seu lado. Cuida dele, por favor, por mim, essa mera desconhecida que abriu o coração pra você. Cuida do jeito que ele sempre cuidou de mim.

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