7 de ago de 2013

A carta de uma filha










          Você não me viu dar os primeiros passos, tampouco sabe qual foi a primeira palavra que falei. Você não acordou no meio da noite porque eu chorava de dor ou tinha perdido o sono. Não presenciou meu primeiro dia de aula, nem ensinou-me as tarefas quando tinha duvidas. Não ensinou-me a andar de bicicleta ou me deu bronca por ter desobedecido minha mãe.
Você não esteve ao meu lado quando fui a uma escola maior e as crianças eram maldosas comigo. Quando tive minha primeira paixonite, o primeiro coração partido, a primeira nota baixa.
Poderia continuar listando as coisas que você nunca fez por mim, mas não levaria a nada. Sabe, pai, eu precisei muito de você. Mas aprendi a conviver com essa relação moderna. Sei que, no fim, você vai apoiar-me. Depois de expressar fortemente sua opinião. É cabeça dura. Algo que puxei a você. Talvez seja por isso que não tenha lhe deixado ir. 
Aprendi a ver mais longe nas pessoas. Eu sempre soube que você tinha algo mais a mostrar. Sei que há um coração de manteiga por trás dessa figura de machão. 
Talvez não sejamos o modelo exemplar de família. Dane-se, já até acostumei-me com a posição de ovelha negra. Não desistirei de você. Apesar de todos os apesares, você foi o que mais apoiou-me em meus sonhos, apesar de não ver minha luta diária. Obrigada por ter estado comigo, mesmo que a distancia, por todos esses anos. Eu te amo.

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