4 de abr de 2013

Verdades Não-ditas







Havia tantas coisas para serem ditas, coisas que continuam presas em minha garganta, mesmo dois anos depois. Mas, todas as vezes em que olho em seus olhos, esqueço-as. Por que eles são tão hipnotizantes?
       Nós poderíamos ter ido tão longe... Minha mãe lhe adora, diz que é o genro ideal. Ela deixou-lhe entrar, noite passada. 
      Como sempre, tentou mostrar-me que estava certo. Diferente de mim, não é um covarde, falou as coisas que estavam entaladas na sua garganta. Então, peguei-me pensando que talvez você estivesse certo, era minha a culpa de você ter amigos idiotas que te convenceram a ir àquela festa. É minha culpa você ter bebido demais e reparado na garota de minissaia de paetês que estava no canto do bar. Eu sou a culpada por você ter posto a mão na cintura dela e a beijado enquanto o DJ tocava a nossa música. Culpada, culpada, culpada!
     Já estamos aos gritos e você, do outro lado da porta do meu quarto, enquanto eu, inutilmente, tentava parar de chorar. Minha cachorra late, assustada, não sei se devido aos nossos gritos ou por ver-me naquele estado.
      Tento convencer-me que dessa vez é pra valer, que meu choro se repetirá pelo  próximo mês e cessará de vez, porque vou ter esquecido-lhe. E você não voltará a insistir em nós. Mas, enquanto essas verdades não forem ditas, cenas como essa se repetirão. Até quando eu serei a covarde de coração partido?

2 comentários:

  1. Adorei o texto. Recentemente encontrei com uma pessoa que não via a dois anos e todo o sentimento voltou. Estranho, né?

    Beijos, Romário.
    www.naomeentendamal.com.br

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  2. Muito! Morria de medo que algo assim acontecesse, mas é a vida. Beijos!

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