20 de abr de 2013

Três anos








Depois de muito tempo tentando me convencer a não assassinar ninguém, Brenda foi embora. Deitei-me em minha cama, tentando decidir se estava perigosamente furiosa ou se era só tristeza camuflada em ódio. A segunda opção prevaleceu. Sabe aquele romance em que suas pernas tremem, seu coração bate mais forte e seu cérebro te envia sinais de que isso será para a vida toda? Para mim, Guilherme e eu tínhamos esse romance. Só para mim. Pois, pelo que eu percebi hoje mais cedo quando o vi desentupindo a garganta de Luiza, o “para sempre” dele dura somente até a próxima esquina, onde ele consegue arranjar uns amores mais satisfatórios e menos duradouros.
        E no fundo, apesar de eu fingir que o meu coração está inteiro, sinto os pedaços se estilhaçando. Sinto-me perdida. Sem ter lugar para ir ou ação para executar. Sinto que tudo o que vivi agora foi uma farsa. Os três anos em que Guilherme viveu ao meu lado foram em vão. Três anos...
     Tateei meu criado-mudo abarrotado de coisas inúteis até achar meu cigarro e um isqueiro para acendê-lo. “Prometa que não vai mais fumar...” A voz de Guilherme ecoou em minha cabeça, “Ok, se você me prometer que não vai mais encontrar-se com a Luiza”. Caminhei até a sacada e me sentei na mureta de péssimo gosto que minha mãe escolheu para decorar o ambiente. Dei um trago, tentando ao máximo retirar do meu coração o instinto de chorar. Isso é para fracos. Chorar é uma forma silenciosa de mostrar incapacidade de superação... E por isso eu chorei.



2 comentários:

  1. Entrei no seu blog para ler esse texto e acabei lendo vários outros! Hahaha. Adorei o blog. Estou seguindo. Beijos!
    http://semprepensativa.blogspot.com.br/

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  2. Obrigada, Lherian! É sempre bom receber elogios, haha. Beijos!

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