4 de mar de 2013

Entre amigos, beijos e sorrisos







Você me aceitou, com todos os meus buracos, defeitos e falhas. Você me aceitou, com as minhas neuras, preconceitos e manias. E eu, como a grande idiota que sou, não soube te dar de volta o carinho que me dava.
Me desculpe por não saber amar você. Estava assustada por me encontrar naquela situação. Fomos amigos por tanto tempo, vê-lo apaixonado por mim era similar a andar de casacos grossos no Deserto do Saara. Estranho. Acho que nunca um garoto havia, de fato, se apaixonado por mim. Uns se sentiram atraídos, outros gostaram, outros pensaram que estavam apaixonados, mas você foi o único a nutrir tal sentimento por mim. Fiquei perdida, sem ação. Não consegui me sentir de tal forma por você, mas seus olhos tristes e pidões não me deixaram dizer não - você sempre soube como me convencer a fazer algo, não é mesmo?
As coisas entre nós ficaram ainda mais complicadas. Durante nossos beijos, sentia que fazia algo errado, mas em nossos abraços, me sentia em casa. Casa. Você tem cheiro de casa. Cheiro de bolos, pães, do algodão doce que comia quando eramos pequenos e íamos ao parque de diversões. Cheiro dos sermões da minha mãe, quando fazíamos travessuras, dos bolos que sempre havia na casa de minha avó. O cheiro limpo, puro e divertido de casa. Era isso que você era: casa.
Você sabia me decifrar. Sempre fui calada, mas sabia qual era o meu silencio natural e qual era meu silencio de tristeza. Sabia meus sorrisos. Todos os cinco. O que de ironia, o que dou quando falam algo engraçado, o que dou por educação, o meu sorriso sem graça e o bobo, que dou apenas quando lembro de algo relacionado ao cara que gosto. Você me conhecia. Melhor até que eu pensava. Tentei acabar lhe mostrar meus defeitos, destruir o encanto construído ao redor de mim. Mas que tonta, você já os conhecia. O que eu esperava, que em dez anos de amizade não tivesse me conhecido em nada?
Você sabe, sou uma tola. Apaixonada pela teoria e ficção. Acha lindo esses casais de amigos que, nos filmes, se apaixonavam e viviam uma história de amor. Mas, como sempre, na pratica fui um desastre. Só conseguia ver você como aquele meninno com quem tive várias brigas na infância. Aquele, que já chegou a me expulsar de sua casa. O irmão de uma das minhas melhores amigas.
A culpa de não te amar foi minha, assumo-a por inteiro. Mas, saiba, que você mais do que qualquer um jamais conseguiu ser. Você foi meu amigo. Você permaneceu. Permaneceu durante onze anos de amizade. E vai permanecer por muito mais tempo. Eu amo você, apenas não sou apaixonada por você.

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