25 de mar de 2013

Aquela camisa xadrez









Hoje acordei sentindo-me mais leve. Livre. Feliz. Tomei banho cantando as músicas da Britney Spears e não tive pressa na hora do café-da-manhã.
     É domingo e estou sozinha em casa, decidida a não tomar decisões.
   Pus meu iPod no volume máximo e fui arrumar meu guarda-roupas, que estava uma bagunça, cheio que roupas que não usava e que usava e deixava jogadas por lá. Tirei todas as minhas roupas, e fui separando aquelas que já não queria, para doação. Achei aquele vestido que usei na primeira festa em que fui. Aquela blusa de poás que roubei da minha mãe quando tinha quartoze anos e tudo o que queria era parecer mais velha. Aquela calça estampada que comprei às pressas na minha viagem de quinze anos e tive que fazer dieta por três meses para caber nela. Ih... Aquele suéter horroroso de natal que minha avó fez para mim e obrigava-me a usar todos os anos. E, por fim, a blusa xadrez. 
   Não qualquer uma, mas uma azul, preta e branco, que ele usava como jacketa e emprestou-me quando saímos para jantar e senti frio. Eu nunca consegui devolver. Ainda tem seu cheiro. Aquele cheiro limpo de praia, loção pós barba e perfume de determinada marca. Sabe, aquele cheiro estranho e maravilhoso que eu sempre adorei?
    Então lembro de tudo. Lembro do seu sorriso de criança que aprontou, o seu olhar que parecia enxergar até a minha alma, sua risada contagiante, sua paixão por academia e como você fica sexy falando sobre engenharia. Lembro de você, tentando ensinar-me a andar de skate, mas eu sempre desequilibrava-me e você segurava-me antes que eu chegasse ao chão. 
    Lembro-me de você, chamando-me de linda às seis da manhã, quando eu, mau-humorada, era levada à escola por você. Suas danças malucas, sua ideias sem noção, suas tentativas de se dar bem com meu pai e meu irmão. Lembro do seu beijo carinhoso, mas intenso que deixava-me sem ar. Lembro de você arrastando-me para a praia e dizendo que fico charmosa quando fico bronzeada. 
    Lembro de nós, assistindo filmes abraçados em tarde chuvosas de domingo ou estudando seus grossos livros de física enquanto eu fazia massagem em seus ombros. Lembrei até da primeira vez em que lhe vi e que percebi, já em nossa primeira conversa, que era o cara certo.
    Finalmente, lembrei-me de como lhe deixei ir por puro medo da distancia, puro medo de amar demais. Parece que foi ontem que, naquele aeroporto caótico, dei-lhe um ultimo beijo e disse-lhe adeus. Ainda posso ouvir sua voz dizendo-me para não fazer isso, ainda posso ver aquelas lágrimas que caíram dos seus olhos. Nunca me doeu tanto ver alguém chorar.
  Sinto as lágrimas em meus olhos. Lágrimas de saudades, não de arrependimento. Percebi que esse era o motivo por ter acordado tão bem hoje. Eu havia superado você. Sim, foi burrice deixar-lhe, mas era o certo a ser feito. Você foi uma das melhores coisas que me aconteceram, mas é passado.     
    Aprendi a desapegar-me, algo tão difícil para mim alguns meses atrás, a me pôr em primeiro lugar, a não ter medo de dizer o que penso e a não importar-me tanto com o que os outros pensam. Você ensinou-me tudo isso.
    Hoje, sou uma pessoa bem diferente daquela que conheceu e por quem apaixonou-se há três anos, e sei que você também já não é o mesmo. Sou feliz sendo quem eu sou e vendo a sua felicidade.
     Se você estiver lendo isso, saiba que nunca lhe esquecerei.

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