13 de mar de 2013

Apenas Amigos








Eu devia ter lhe dito. Oportunidades não me faltaram. Na pausa entre uma risada e outra, quando abraçava-me enquanto assistíamos algum filme de terror, após um jantar com nossos pais. Quando íamos ao cinema, nas tardes de domingo em que ficávamos fazendo nada, quando me falava das garotas por quem estava interessado. Quando íamos à festas, tínhamos tardes de estudo ou quando perguntava-me por que eu estava chorando. Desperdicei todas elas.
        Quando tudo o que queria era saber o que havia entre nós, o que sentíamos um pelo outro, apenas sorri e disse que estava tudo bem. Quando você, bêbado, me beijou na festa de ano novo e não lembrou de nada no dia seguinte , eu fingi que estava bem.
        Eu tive medo. Medo de que rejeitasse meus sentimentos, dissesse que era tudo má interpretação minha. Medo de jogar fora esses quatro anos de amizade.
        Quis acreditar que você ficaria em minha vida por muito tempo, mas o dia de sua partida chegou. Por que ficaria afinal? Com um mundo cheio de oportunidades e sensações novas para sentir, e nada que o prendesse aqui, apenas uma garota boba com quem tinha uma relação confusa e pais sempre ocupados demais para você.
        Uma despedida cheia de lagrimas no aeroporto. Duas semanas sem comer e dormir direito. Fiquei embriagada e fiz besteira. Quinze meses se passaram desde então e eu continuava a sentir tudo aquilo. 
        Lá estava eu, esperando-lhe no aeroporto, no mesmo onde acontecera nosso ultimo encontro, pronta para falar-lhe sobre meus sentimentos. Mas você não voltava sozinho. Quem era aquela morena cor de jambo e olhos claros? Eu continuava pálida feito defunto e tinha os mesmos olhos castanhos, tão comuns e entediantes. Que anel lindo era aquele na mão direita dela? Você tinha uma quase igual na sua.
        Você tinha feito o que mais temia, mais até que sua partida: havia achado alguém que te fazia feliz como eu fazia e como eu sempre quis fazer.
        Engoli aquela declaração, engoli meus sentimentos, engoli meu choro. Caí e a queda foi feia. Mas você me conhece, sou forte. Estou em pé, de novo. E ainda amo você. Acho que sempre amarei.

4 comentários:

  1. Julia, quase chorei. da pra escrever um livro com essa texto. Ta LINDO, MARAVILHOSO e ESPETACULAR. Espero que você continue escrevendo e nunca desista disso, pois você é ótima nisso. E caso algum dia receba uma critica, use-a para o seu aperfeiçoamento e se for um elogia, nunca se conforme com isso, sempre busque melhorar. bjs Diva

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  2. Obrigada, mesmo! Fiquei até emocionada! Ainda tenho muito a melhorar, sei disso, e tenho muitas criticas e elogios para enfrentar. Muito obrigada pelo carinho e gostaria muito que se identificasse. Beijos!

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  3. Adorei seu texto. Achei seu blog por acaso num comentário no grupo do DDQ, já li quase todos seus textos e estou apaixonada. Fiz um post sobre seu blog no meu, esta programado e essa semana irá ao ar. Se quiser acompanhar, meu blog é esse http://conversadecloset.blogspot.com.br/ :) Parabéns e muito sucesso pela frente, beijão!

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  4. Ah, muito obrigada! Visitei seu blog e adorei! Parabéns e muito sucesso para nós!

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